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Os alegres acham que ele canta. — Luís Vernando Veríssimo (via flor-de-papel)
Eu sempre quis explicar o ritmo da nossa música, mas você deu a entender que já sabia tocá-la muito bem. E hoje, às oito e quinze da noite, resolvi tocá-la na minha boca para que você possa escutar no meu tom. Dentro das minhas entranhas, espero que consiga sentir.
Só dois, dois dedilhados. Um vai e o outro volta, é sempre assim. Você fecha os olhos devagarinho e coloca um sorriso bem de leve no rosto ao primeiro toque. Vai e volta, parece que a nossa dança é um pé pra frente, pé pra trás. Nós nunca saímos do lugar, nunca mesmo. É tão estranho que, de tanto dançar (um pé pra frente e o mesmo pra trás, com o outro fincado no chão), os nossos sapatos ficaram com as solas desgastadas e daqui a pouco vamos sentir as pedras da rua arranhando a pele. O mais estranho é que você sorri mais ainda, agora mostra os dentes. E eu sinto, sinto mesmo, que você também sente a música no céu da boca - com as estrelas do dedilhado palpitando em todas as partes de dentro, todas as estrelas desceram pra assoprar o seu estômago e causar esse frio na barriga.
Numa pausa do violão, a gente escuta uns toques mudos do piano. Nada que desfaça o gosto gentil do dedilhado. Quando a música para, nós voltamos a ser quem somos. Nem menos fantásticos, melhores nem nada; só nós. E continuamos dançando. Mesmo sem música.
Amanda Lua, sobre a minha única exceção.

Que coisa mais linda!
Jogar-me sobre as flores, sentir um cheiro de manhã cedo e sorrir para os desenhos das nuvens!